Ao projetar o futuro do Rio Grande do Norte, uma questão central precisa ser considerada de forma prática e objetiva: caso Rogério Marinho vença a eleição para o Governo do Estado, como se dará sua relação com o Governo Federal? O ponto não é meramente ideológico, mas estratégico, sobretudo diante do cenário político nacional atual.
As pesquisas e os movimentos recentes da política nacional indicam um enfraquecimento dos nomes da Direita que se colocam como alternativa ao presidente Lula, criando para o petista um ambiente relativamente confortável na disputa presidencial. Não cabe aqui discutir culpados por esse enfraquecimento, mas sim analisar as consequências. Nesse contexto, é plausível a hipótese de um governo estadual liderado por Rogério Marinho convivendo com um governo federal petista, o que naturalmente levanta dúvidas sobre articulação e acesso a investimentos.
A experiência recente do RN mostra que, mesmo com alinhamento político entre o Governo do Estado e o Planalto, a gestão de Fátima Bezerra (PT) não conseguiu promover mudanças estruturais significativas. Diante disso, em um cenário de desalinhamento político, Rogério Marinho teria um desafio ainda maior: “se virar nos trinta”, apostando em forte articulação institucional, parcerias com a iniciativa privada e capacidade técnica para atrair investimentos e manter o estado competitivo.
Um dos principais desafios de seu eventual mandato, portanto, seria justamente a relação com o Governo Federal. A ausência de afinidade ideológica pode impactar diretamente a capacidade de negociação por recursos, convênios e obras estruturantes, especialmente em um estado que historicamente depende de transferências federais para avançar em áreas como infraestrutura, saúde e desenvolvimento social.
Em um cenário de desalinhamento, o risco vai além do embate político. Existe a possibilidade real de o Rio Grande do Norte perder prioridade em pautas estratégicas. Governar exige mais do que discurso; requer pragmatismo, diálogo e habilidade para transitar entre divergências em favor do interesse público. Caso essa ponte não seja construída, o ônus tende a recair sobre a população, que espera soluções concretas, e não disputas prolongadas.
Por outro lado, uma eventual vitória de Rogério Marinho também pode representar a oportunidade de demonstrar maturidade política e liderança para além das trincheiras ideológicas. Se conseguir estabelecer uma relação institucional respeitosa com o Governo Federal, mesmo sem alinhamento, poderá transformar um obstáculo em prova de independência administrativa e compromisso com o Rio Grande do Norte. Nesse cenário, o sucesso do mandato dependerá menos da retórica e mais da capacidade de governar em um ambiente político adverso.
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