Internacional: Briga por herança de Nelson Mandela já começou na África do Sul

Publicidade:

"Enquanto ele está vivo, ainda existe uma certa reserva por parte dos membros de sua família, mas vocês vão ver quando ele morrer."
No início do ano, um bom conhecedor do círculo de Nelson Mandela contou ao "Le Monde" que ele temia que a união que seria demonstrada durante o luto em torno dos restos mortais do mais ilustre dos sul-africanos logo fosse dar lugar às disputas pela lucrativa herança familiar.

Imagem Mandela em 1990 (AFP)
Afinal, essa disputa se revelou antes mesmo da morte do ex-presidente, já no mês de abril. Os sul-africanos descobriram que duas filhas de Nelson Mandela, Makaziwe e Zenani, haviam entrado com uma ação na Justiça, apoiadas por 17 membros da família. A ação era contra os amigos do ex-chefe de Estado: seu ex-advogado, George Bizos, e o ex-ministro da Habitação, Tokyo Sexwale, que passou vários anos preso na ilha de Robben Island, na costa da Cidade do Cabo.
Makaziwe, filha de Evelyn, a primeira mulher de Nelson Mandela, e Zenani, filha de Winnie Mandela, sua segunda esposa, exigiam que os dois homens renunciassem, assim como o advogado de Nelson Mandela, Bally Chuene, de seus postos de administradores de dois fundos estimados em quase US$ 1,7 milhão (quase R$ 4 milhões). Essas sociedades haviam sido criadas para cuidar sobretudo da venda de aquarelas em que vinha reproduzida a marca da mão do herói.
Com o apoio de Ismail Ayob, o ex-advogado de Nelson Mandela, de quem este se separara em 2004, as herdeiras acusaram os amigos de seu pai de assumirem à força esses fundos e de hoje se negarem a ajudar financeiramente os membros da família. Mas o trio garante ter sido nomeado pelo próprio Mandela. Em uma declaração que foi entregue a um tribunal de Johannesburgo, o advogado Bally Chuene afirma que em abril de 2005 o ex-chefe de Estado convocou em sua casa em Johannesburgo sua mulher, Graça Machel, suas filhas, George Bizos e Tokyo Sexwale. "Durante essa reunião, Mandela disse claramente a Makaziwe e Zenani que ele não queria que elas se envolvessem em seus negócios", escreveu Bally Chuene nesse texto publicado pela imprensa sul-africana.
UOL

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mortos em Alcaçuz pode superar Manaus

Morte trágica em Macau