Saúde pode sofrer intervenção federal


A cada fim de semana a superlotação no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel se agrava, assim como piora a crise na saúde pública do Rio Grande do Norte. Agora a saúde pública estadual pode sofrer intervenção federal, através de técnicos e médicos do Ministério da Saúde. Um gabinete de gestão de crise já foi instalado desde a semana passada em Brasília (DF) para tentar dar uma solução para os problemas da saúde no RN, que teve decretado estado de calamidade pública há quase 70 dias. Outra alternativa é que a sociedade civil organizada elabore um documento e o remeta à Corte Interamericana de Direitos Humanos, conforme adiantou reportagem exclusiva do DN na sexta-feira, 14. 

O assunto foi discutido ontem, no Conselho Regional de Medicina (Cremern), pelo senador Paulo Davim (PV), e por entidades como os conselhos estadual do Idoso, da Assistência Social, da Criança e do Adolescente e OAB-RN, além do próprio Cremern. A reunião tinha o objetivo de optar por uma das duas escolhas em colegiado: relatar os fatos e denunciar o Estado à Corte Interamericana de Direitos Humanos ou pedir intervenção federal na saúde do Rio Grande do Norte. Por ora ficou definido que será convocado para uma reunião o secretário estadual de Saúde, Isaú Gerino.

Ainda hoje, por volta das 11h, membros da Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e do Conselho Federal de Medicina estarão no Walfredo Gurgel para constatar a situação de caos. "É a situação mais grave da história do Walfredo Gurgel e talvez da saúde pública do RN", classificou o médico Jeancarlo Cavalcanti, presidente do Cremern. 

O senador Paulo Davim foi o mais incisivo ao defender uma intervenção federal. "Tenho acompanhado de perto essa crise na saúde. Eu milito há muitos anos e nunca vi uma situação tão crítica quanto essa. Na semana passada eu fui ao Ministério da Saúde para saber dos técnicos qual seria o posicionamento do que tem sido feito em relação ao RN. Fui informado que foi formado um comitê de gestão de crise só para o RN. O problema é que a intervenção federal não é tão simples, a não ser que haja uma solicitação formal do Governo do Estado".

Davim disse ainda que a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) está avaliando a proposta. "Tomei a liberdade de entrar em contato com a governadora, sugerindo uma parceria, e ela ficou de pensar no caso. Disse que viajaria essa semana a Brasília para prestar contas dos 60 dias de calamidade pública. Espero que seja uma conversa aberta. Estamos vivendo a crônica da morte anunciada. A situação está tão grave que não vejo outra alternativa a não ser a presença ostensiva dos técnicos do Ministério e do envio de recursos. Sairíamos do fundo do poço para a superfície. Só assim as autoridades locais teriam condições de planejar alguma coisa para o futuro". 

Diário de Natal 

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